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Cotidiano e Ciência


Série: diálogos na ciência

O que Plutão disse a Júpiter


Anão, Júpiter! Um planeta anão! É assim que passei a ser considerado depois dessa reunião polêmica entre astrônomos do mundo todo. Eu, Plutão, até então o nono planeta do Sistema Solar, perdi em uma votação o status de planeta.

Júpiter, você sabe que eu estou nos confins do Sistema Solar, por isso muitos associaram meu nome, Plutão, ao deus Hades, da mitologia grega, que significa “habitante dos infernos”, da escuridão.

Minha distância média até o Sol é da ordem de 6 bilhões de quilômetros e levo quase 250 anos para completar minha órbita ao redor da nossa estrela.

Eu posso me gabar que tenho uma Lua. É Caronte o nome do meu satélite natural, que mantenho preso a mim apesar de minha pequena força de atração gravitacional. Mas, nem todos os planetas têm o privilégio de ter Luas, como é o caso de Mercúrio e Vênus.

Tenho características semelhantes a Vênus e Urano. O meu movimento de rotação é retrógrado, isto é, minha rotação é contrária ao movimento de rotação dos demais planetas. E meu eixo de rotação é quase paralelo ao plano da órbita ao redor do sol. 

Alguns estudiosos chegaram a conjecturar que eu e Caronte poderíamos ser um planeta duplo, à semelhança das estrelas duplas existentes no cosmo. Isso seria um fato notável para o nosso Sistema Solar.

Mas, Júpiter, veja o que os astrônomos alegaram para me rebaixarem da condição de planeta:

- Que minha órbita é muito excêntrica (não convencional) e inclinada em relação às trajetórias dos outros planetas. Por isso eu cruzaria a órbita de Netuno quando eu estivesse mais próximo do Sol. Consideram que um planeta jamais pode cruzar a órbita de outro;

- Que não sou dominante em minha zona orbital, que eu não “limpo a área”. Querem dizer que eu não atraio os demais corpos celestes que estão por ali na minha vizinhança carregando-os comigo.

- Que minha massa é pequena demais!

Anão, Júpiter, um planeta anão, eis agora minha nova condição. Entretanto sei muito bem que, como tantos outros, continuo errando através do Universo.   Planeta era como os gregos chamavam os corpos celestes luminosos que vagavam pelos céus por entre as estrelas...  Isso não me credenciaria a ser um planeta? Diga, Júpiter!

Além disso, Júpiter, já eram conhecidos novos corpos celestes, com massas iguais ou um pouco maiores do que a minha.

Um deles, Éris, tem diâmetro um pouco maior do que o meu. Mas, o que é mais interessante é que na mitologia grega, Éris é o nome dado à deusa da discórdia. Será que essa confusão toda que me transformou em anão é influência de Éris? Diga, Júpiter!

 Lelo Néspoli

 

 



Escrito por Lelo às 08h24

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Série: diálogos na ciência

O que Júpiter respondeu a Plutão

Meu caro Plutão, essa confusão não tem muito a ver comigo, pois minha massa é muito grande. Ela é maior do que duas vezes a massa de todos os planetas juntos.

Mas raciocinemos. Isso não representa nada em presença da massa do Sol. Nossa estrela detem 99,85% da massa total do Sistema Solar. O que restou para nós? Você não acha que a comparação entre massas torna-se um exercício mental muito relativo?

Para alguns sou até considerado uma anã. (Espere, não saia de órbita, Plutão!). Continuando... Sou confundido com uma estrela anã marrom. Às vezes, sou jocosamente chamado de a estrela que não deu certo.

Sabe que nem me ofendo? Explico: como sou gasoso e constituído de hidrogênio e hélio, tenho os combustíveis das estrelas. Entretanto, eu precisaria ter uma quantidade de massa suficiente para elevar a pressão e a temperatura desses gases para poder produzir reações nucleares, o dínamo das estrelas.

Mas existe outra coisa que você precisa descobrir Plutão; talvez isso lhe console. Todos nós temos um papel no Sistema Solar.

Veja o meu caso. Devido à minha localização e devido ao meu poder de atração gravitacional, eu protejo os chamados planetas terrestres. São aqueles mais próximos do Sol e rochosos. Eu funciono como um escudo protetor desses planetas, pois atraio todo o tipo de meteoro. O planeta Terra, por exemplo, é um dos beneficiados pela minha proteção. A vida de muitas espécies existentes na Terra estaria comprometida se ela fosse constantemente bombardeada por meteoros gigantescos, que por mim são “sugados”.

No mais, Plutão, o que se formou com a decisão dos astrônomos foi o novo paradigma planetário. Paradigmas dependem da época, das pessoas. Quem sabe amanhã você não volta a ser um planeta?

E como você mesmo diz, enquanto isso nós vamos, como tantos outros, errando pelo Universo!

 Lelo Néspoli

 




Escrito por Lelo às 18h34

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